Fórum
Published by Equipa de Coordenação Novembro 23rd, 2007 in UncategorizedBem Vindos ao Forum Guiledje!
Neste momento, gostaríamos que as contribuições dos visitantes se situassem à volta dos seguintes temas:
1. A realização do Simpósio “Guiledje na rota da Independência da Guiné-Bissau”: apreciação sobre a oportunidade do evento, os painéis e temas, oradores, organização em geral, sugestões, etc.
2. Contribuição com relatos vividos da guerra na zona de Guiledje, memórias, informações sobre livros das unidades
3. E depois do Simpósio, o que fazer ? Sendo impossível reconstruir o Quartel de Guiledje, pensa-se na possibilidade de promover o turismo ecológico, a instalação de um Núcleo museológico, uma Escola profissional rural e a sede do Parque transfronteiriço. E que mais ?
As contribuições de cada um terão uma resposta, se for caso disso.
A organização reserva-se o direito de não publicar as contribuições sempre que elas não respeitem o espírito de tolerância, não sejam pertinentes ou promovam sentimentos negativos.
Uma iniciativa estranha num Pais estranho. Gastar fundos publicos para glorificacao do General Presidente com ferro quente “Na Bunda” dos militares parece forma de desviar a atencao dos problemas do Pais. Um Pais com um Estado disfuncional, incapaz de pagar salarios por doze meses…
Qual a oportunidade deste evento?
Na verdade muito estranho. Tao estranho que os NINISTAS prestam-se a exercicios do genero como forma de glorificar o individuo, o DITADOR, que inviabilizou o seu Pais. Que pena!
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E se o futuro do país se construísse com base na procura das nossas referências históricas, hoje tão esquecidas?
Naqueles valores a que todos se uniram para fazer uma luta de libertação impar, orgulho de quantos nela se envolveram, fossem eles guineenses, caboverdianos, cubanos, portugueses (sim, também os houve e foram muitos os que com ela se solidarizaram), guineenses de Conakry, gambianos, angolanos, suecos, ingleses, franceses e tantos outros.
A construção de um país faz-se à volta de valores, princípios éticos, procura de justiça e de um desenvolvimento justo.
Quando nos esquecemos deles, só nos resta ir à sua procura, unirmo-nos à volta daquilo que nos irá mobilizar para o futuro.
Provavelmente um empréstimo financeiro internacional poderia resolver a terrível situação dos que, hoje, estão a tentar viver com 12 meses de salários em atraso, mas certamente não resolveria o problema do futuro do país.
E se a História nos ajudasse a reencontrarmo-nos connosco próprios?
Não será que esta nossa terra é demasiado grande para que, de forma simplista, haja quem a pretenda dividir entre pró e contra-ninistas?
Acabem com esta secção uma vez que os guineenses são maus, invejosos e “confusionistas”, mesquinhos e pobres de espírito.
Sabemos quem é Balla Balde e grande a inveja e o ódio que o move.
Por isso, Sr. Banobá, vire a sua triste sina de ciumento inveterado e de zarolho irrascível para os píncaros do inferno e deixe os que querem fazer coisas lindas e boas trabalharem para a Guiné-Bissau e os guineenses que bem merecem.
FUI FUR MIL DA CCAV 8350 “OS PIRATAS DE GUILEJE”
FUI O AUTOR DO NOME E LOGOTIPO D’ “OS PIRATAS DE GUILEJE”TENHO MUITO ORGULHO DA MINHA FOTO ESTAR NO CIMO DA VOSSA PÁGINA DO SÍMPÓSIO. NÃO VOU AO SIMPÓSIO POR MOTIVOS ECONÓMICOS.
TENHO MUITAS SAUDADES DE GUILEJE.
FIZ PARTE DA PATRULHA QUE CAIU NUMA EMBOSCADA EM GADAMAEL ONDE MORRERAM 4 HOMENS
FIZ PARTE DA OPERAÇÃO DE RESGATE DO PILOTO DO FIAT G 91 ABATIDO PELO MISSEL STRELLA
NO PINDA
JARAMA NANI
Fui o comandante das tropas de Guileje C. Cac 3477 “OS GRINGOS DE GUILEJE” de 21 Novembro 1971 por rendição da C.Cac 3325 até Dezembro 1972,rendido pela C.Cac 8350.
Tenho muito para contar sobre o Guileje.
Se for possível estarei no Simpósio, diponível para o que for necessário, e levarei documentação para deixar.
Inimigos de ontem, amigos de hoje
Deixem-me observar e analisar, uma a uma, as excelentes fotos que a equipa da AD - Acção para o Desenvolvimento fez de alguns dos Antigos Guerrilheiros do PAIGC, que operaram na região sul, tendo alguns deles i(se não todos) participado no cerco e ocupação de Guiledje, de 18 a 22 de Maio de 1973 (Op Amílcar Cabral).
É de referir que no âmbito do Projecto Guiledje, equipas de investigadores da AD - Acção para o Desenvolvimento entrevistaram-nos, gravaram e filmaram os seus depoimentos, em DVD. Uma iniciativa louvável e imperiosa, atendendo a que a geração dos antigos combatentes do PAIGC, envolvidos na luta de libertação (1963/74), é uma geração que está a desaparecer…
Eles são também convidados especiais do Simpósio Internacional de Guiledje. E nós, os ‘tugas’ que lá formos, vamos ter concerteza a oportunidade (e o privilégio) de confraternizar com eles.
Olhando para estes rostos, alguns dos quais precocemente envelhecidos por uma vida duríssima (anos e anos de guerrilha pura e dura, a que se somaram as não menos penalizantes condições de vida e de trabalho num novo país independente, em construção), eu só consigo descortinar serenidade, sabedoria, coragem, experiência de vida… Talvez orgulho pela missão (cumprida), orgulho por terem sido protagonistas da sua própria história… Talvez, aqui e ali (…e é preciso adivinhar), alguma desilusão, algum desencanto, algum desapontamento pelo rumo dos acontecimentos que nos escapam, pelos ‘amanhãs que não cantaram’ (ou não cantaram para todos, para a grande maioria do povo)… Mas não vejo ódio, nem agressividade, nem ressentimento…
Foram homens, idealistas e generosos, que eram tão jovens como nós, e que amavam a sua terra como nós amamos a nossa, oriundos de diferentes comunidades e grupos, partilhando diferentes credos (animistas, muçulmanos, cristãos…), reunidos sob a mesma bandeira, e que, como combatentes, foram bons, determinados, abnegados, corajosos…
Também tiveram sorte no campo de batalha, que ‘a sorte protege os audazes’ (como dizem os Comandos Portugueses): hoje estão vivos; mas muitos milhares dos seus camaradas pagaram, com o sacrifício da sua própria vida, a sua opção pela luta de libertação… Estão vivos, mas não tiraram benefícios pessoais por ter sido guerrilheiros do PAIGC, combatentes da liberdade ou heróis vivos, aos olhos dos seus filhos, parentes, amigos, vizinhos…
Muitos voltaram a ser camponeses, um ou outro seguiu a pobre carreira de armas, outros quiçá já tiveram inclusive de sair do seu país, por motivos políticos, económicos ou outros… Que as revoluções também, aqui como noutros lados, costumam tragar muitos dos que as fazem…
Homens que ontem eram o IN, eram nossos inimigos (não individualmente, mas como exército, como máquina, como entidade mítica; porque estávamos, objectivamente, de um lado e de outro do campo de batalha, empunhando uns a Kalash e outros a G3…); homens que hoje queremos que sejam nossos amigos e até irmãos; homens que, no mínimo, merecem o nosso respeito, senão mesmo a nossa admiração… Há sempre em todas as guerras uma estranha cumplicidade entre combatentes de um lado e de outro…
Oxalá possam, todos estes antigos guerrilheiros do PAIGC, viver o que resta das suas vidas em paz, em segurança, em dignidade… E espero poder encontrar alguns deles em Guileje e dar-lhes um abraço do tamanho do Cumbijã, ou do Geba, ou do Corubal, ou do Cacheu, rios míticos de uma Guiné que também nos pertence um bocadinho, ou de algum modo… Quanto mais não seja, pela simples razão de que lá deixámos dois dos nossos verdes anos…
Luís Graça,
Sociólogo, professor universitário,
Lisboa, ENSP/UNL
Fundador e editor do blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné
(http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com)