Nuno Rubim vem dedicando voluntariamente de há cerca de 2 anos a esta parte a sua reconhecida competência, visão histórica, investigação rigorosa e uma dedicação sem qualquer contrapartida à concepção do Núcleo Museológico e em especial ao diorama do quartel de Guiledje, uma obra impar que estará disponível durante o Simpósio e que nos enche de orgulho, a todos quantos se abalançaram a esta iniciativa.
O Núcleo compreenderá,
» um Centro Documental que disporá de um Diorama do quartel, um grande Poster com as posições militares do PAIGC no momento do assalto final a Guiledje, uma exposição de fotografias e um serviço de computadores contendo um arquivo digital, documental e fotográfico, onde através de um conjunto de entrevistas em formato DVD estarão registados os testemunhos de muitos dos participantes guineenses, caboverdianos, cubanos e portugueses que por lá passaram durante a guerra colonial;
No primeiro compartimento à esquerda do Centro Documental ficará o diorama com fotografias, portuguesas e do PAIGC, relativas a Guiledje.
Na parte central ficarão expostos um poster de 3 metros sobre o ataque do PAIGC a Guiledje em Maio de 1973, com miniaturas de meios de combate portugueses e do PAIGC, acompanhados de fotografias e notícias explicativas.
No compartimento da direita ficarão os computadores, mesas para consulentes e armários para os arquivos digital, documental e fotográfico. Contará com o apoio da Fundação Mário Soares.
O Diorama foi projectado por Nuno José Varela Rubim e realizado por ele, com a colaboração de Isabel Pereira Pimentel, Maria Júlia de Sousa Rubim, Maria Tereza Rubim, Nuno Emanuel Rubim, Marcela, Pedro Rubim e Filipe Mesquita.
Foram aproveitadas várias fotografias do saudoso Capitão José Afonso da Silva Neto, da Companhia de Artilharia 1613.
Foi importante o levantamento topográfico efectuado em Guiledje em 2005, por Fidel Midana Sambú.
Concepção do Diorama
- A povoação de Guiledje teve ali instalada unidades militares portuguesas desde Fevereiro de 1964 até Maio de 1973.
- Assumida a decisão de ser feito um diorama, foi necessário determinar a data que o mesmo iria representar, dado que ali estiveram instaladas 11 Companhias, além de outras unidades menores. No decurso desse período e sobretudo a partir de 1969, o aquartelamento sofreu alterações significativas.
- Foi decidido escolher a data de 1965-66 pela seguinte razão: foi nessa altura que aí esteve sediada a unidade que ali permaneceu mais tempo, a CCaç 726 que, com a unidade que se lhe seguiu, a CCaç 1424, foi também a Companhia que efectuou mais operações no sector e sofreu mais baixas em combate.
- O Diorama ou maqueta, pretende pois representar o aquartelamento e a tabanca nesse período.
- A escala escolhida foi a de 1/72, pois isso permitiria adaptar modelos em miniatura comercializados.
- Após aturado trabalho de estudo, recolhendo fotografias e declarações de ex-militares que ali estiveram no período em causa, foi possível desenhar um plano à escala para aí serem inseridas as localizações de edifícios, cubatas, abrigos e outros detalhes.
- Estes, depois de também serem desenhados à escala, foram construídos utilizando plástico, madeira, metal e resina, e depois pintados de forma a representá-los tão exactamente quanto possível.
- No diorama poderão ser pois observados, além das infraestruturas, modelos de viaturas, depósitos, diversos utensílios etc…
- E também uma DO-27, a aeronave que proporcionava talvez o único momento de alegria para as tropas, pois era quem trazia e levava o correio.
» um Museu que terá armamento, equipamento e outro material, português e do PAIGC, que está a ser ou venha a ser cedido.
Embora o espaço do Museu vá ser restrito, pretende-se que disponha de:
» um Unimog e um Pentenclas, meios de transporte de referência de um lado e outro da barricada;
» armas do PAIGC: uma RPG-7 (ou RPG-2), um morteiro de 82mm (ou 120mm), uma metralhadora pesada Degtyarev (ou Goryunov), uma ligeira Degtyarev, uma pistola-metralhadora PPSH, Thompson, M-23, uma espingarda semi e automática AK-47 Kalashnikov, Simonov, Mosin-Nagant e uma pistola Tokarev e Ceska.
» armas de Portugal: uma espingarda automática G-3 e FN, uma metralhadora MG-42, uma espingarda Mauser, LGF Bazooka e Dante, um morteiro de 60mm, 81mm e 10,7cm, e uma pistola Parabellum e Savage.