Desafios para os próximos 10 anos

 

Os Três Desafios Temáticos para os próximos 10 anos

Com 13 anos de experiência e trabalho, a AD está em condições de procurar definir os seus grandes eixos de intervenção e os desafios a que se propõe abalançar nos próximos 10 anos.


1º DESAFIO: Contribuir para a criação de condições para uma SOBERANIA ALIMENTAR na GUINÉ-BISSAU

Este desafio representa a prioridade expressa das comunidades rurais e do país. A AD, enquanto estrutura de promoção de novas formas organizativas no mundo rural e urbano, de sensibilização local e de combate a nível global, considera que este desafio assume várias vertentes da sua intervenção:

  1. Influenciar a política agrícola nacional , em especial a sua componente de segurança alimentar, intervindo a nível da plataforma das ONG, das redes de ONG, de associações locais actuando neste domínio e junto das delegações locais do Ministério de Agricultura nas zonas onde a AD está presente, influenciando e condicionando desta forma as decisões políticas.
  2. Criar sinergias com outras ONG nacionais e estrangeiras para combater as políticas que defendem e praticam a livre entrada de alimentos nos países do Terceiro Mundo, protagonizada principalmente pela OMC e que põem em causa a soberania alimentar na Guiné-Bissau.
  3. Promover uma concertação sub-regional com ONG e associações de base dos países vizinhos, para a defesa da soberania alimentar e a apresentação de propostas concretas alternativas ao actual estado da situação alimentar, que inclua o estabelecimento de acordos comerciais entre associações e comunidades dos diferentes países e a promoção de mercados semanais (lumus), entre outros.
  4. Contribuir para a definição, a nível de cada sector geográfico de intervenção da AD, dos produtos estratégicos que servirão de motor e serão os dinamizadores de processos locais do desenvolvimento social, cultural e económico, em que a AD será chamada a desempenhar uma acção de pesquisa, concepção, execução e assistência técnica e que contribuirá para a segurança alimentar local.
  5. Promover a diversificação de culturas agrícolas, como a resposta às irregularidades climáticas e à preponderância da cultura de arroz, em função das condições edafo-climáticas, hábitos alimentares e carências nutricionais prevalecentes, incluindo a criação e reforço de uma rede de agricultores produtores de sementes, plantas e propágulos.
  6. Apostar na criação diversificada de iniciativas geradores de receitas a nível da comunidade, das associações e individuais que permitam melhorar as condições financeiras das unidades familiares e do seu acesso a bens alimentares, assim como promoção a introdução de novas tecnologias adaptadas que facilitem e aligeirem o trabalho das mulheres, assegurando melhores rendimentos.
  7. Promover a valorização e utilização dos recursos naturais de forma racional e sustentável, trazendo beneficio às comunidades locais, incentivando-as a reforçar os sistemas tradicionais de protecção e conservação da natureza.

2º DESAFIO: Desenvolver e reforçar as ORGANIZAÇOES LOCAIS E COMUNITARIAS que promovam um Modelo de Sociedade JUSTO, SOLIDÁRIO E DEMOCRÁTICO

A abertura das comunidades locais à modernidade e ao desenvolvimento vai exigir da sua parte um esforço para a sua organização em moldes novos que aceitem os desafios do progresso, preservem o fundamental das suas identidades e culturas e criem mecanismos de defesa face a interesses que não são os seus.

O desafio maior da AD é contribuir para a identificação, promoção e divulgação deste tipo de organizações, sem as quais o desenvolvimento local será efémero, inconsistente e a qualquer momento reversível. A AD deverá estar na primeira linha deste determinante processo por forma a:

  1. Contribuir para a participação activa dos grupos mais pobres das populações rurais e urbanas, protagonizando a descentralização política e a construção de um sistema de democracia participativa.
  2. Apoiar o reforço interno e a capacidade das organizações locais para poderem melhorar as condições de vida das comunidades locais e assumirem um papel na definição das políticas sociais e económicas das zonas onde estão inseridas
  3. Promover o associativismo rural e urbano, enquanto formas inovadoras de participação organizada e solidária de combate às desigualdades e injustiça sociais, económicas e políticas e que engendram a exclusão, promovendo uma justa repartição dos recursos, igualdade de oportunidades, acesso aos serviços sociais de base e à participação na elaboração e controlo das políticas de desenvolvimento.
  4. Promover a capacitação das associações locais, comunidades, jovens e mulheres, através da criação de sistemas de formação e capacitação dos lideres, membros e associados, de forma mais formal (na Escola de Artes e Ofícios de Quelele e CENFOR de S.Domingos) ou de maior proximidade (CTA de Iale, formação em serviço, etc.)
  5. Contribuir para o surgimento de redes temáticas de organizações (rádios comunitárias, pescadores, fruticultores, etc.) como forma de obter um maior protagonismo na conquista de espaços de intervenção para a promoção de um sistema democrático consolidado.
  6. Promover a organização de encontros temáticos centrados em temas prioritários para o desenvolvimento justo e responsável
  7. Criar centros de documentação e informação nas organizações e estruturas locais que permitam, particularmente aos lideres e jovens, o acesso ao conhecimento e à experiência
  8. Capitalizar os conhecimentos adquiridos pela longa experiência da AD, passando-os a escrito e partilhando-os com as organizações afins e com os seus parceiros.

3º DESAFIO: Incrementar o surgimento de PROCESSOS INOVADORES de efeitos multiplicadores para a resolução dos desafios comunitários

A AD defende que uma ONG se justifica pela incessante procura de novos caminhos para os novos desafios do desenvolvimento, mesmo que isso implique os riscos inerentes à pesquisa de tudo o que é inovador. Os sucessos que a AD teve neste domínio (rádios comunitárias, escolas EVA, associativismo rural e urbano, escolas populares, ensino profissional, gestão comunitária da floresta de Cantanhez) tornam-na moralmente responsável para prosseguir nesta via, em especial devendo:

  1. Promover novos sistemas de comunicação activa das comunidades locais, em que elas possam exprimir as suas prioridades, expor as suas preocupações e problemas e defender os seus interesses, utilizando em particular as rádios e televisões comunitárias.
  2. Aprofundar as estruturas e mecanismos de gestão comunitária dos recursos naturais, do tipo das Escolas de Verificação Ambiental, das Reservas Educativas e das Casas do Ambiente e Cultura.
  3. Apoiar novos processos alternativos de educação comunitária e popular, em particular através da criação centros de recursos e de animação infantil, formação para o desenvolvimento (alfabetização via rádio) e surgimento de fóruns de concertação dos promotores locais de ensino.
  4. Contribuir para o surgimento de sistemas mutualistas de saúde e de microcrédito
  5. Promover a criação de novos tipos de organização para a solução de problemas locais, para o incremento de políticas de desenvolvimento e para o controlo e seguimento das intervenções comunitárias, com as características do tipo do grupo de amigos do Hospital de S.Domingos, dos comités de desenvolvimento de regulados de Cantanhez e da Assembleia Geral do Projecto PIC.