Escolas de Verificação Ambiental

 

Índice

  1. Introdução
  2. Do conceito de educação ambiental escolar
  3. Sobre a educação pela acção
  4. Metodologia
  5. Educar pela acção
  6. Abertura às realidades do meio
  7. Participação e parceria
  8. Prevenção e resolução de problemas
  9. A abordagem sistémica
  10. Criação de uma reserva educativa
  11. Pessoas-contacto e mais informações

1. Introdução

A primeira Escola de verificação Ambiental (EVA) surge em 1995, em Suzana, no Norte da Guiné-Bissau. As EVAs são escolas oficiais da 1ª à 6ª classe, onde se iniciaram programas de desenvolvimento da componente ambiental, levando as crianças a compreenderem melhor as interelações entre o homem e o meio ambiente através de uma aprendizagem natural nas disciplinas clássicas de ensino e descobrindo a natureza através de passeios organizados nas matas, estabelecendo a aprendizagem em torno de temas, renovando a organização do quadro escolar no sentido de uma evolução positiva das relações entre a escola e o seu meio.

Procura-se o envolvimento dos pais dos alunos na vida da escola, através da construção do edifício e participação nas visitas de estudo dos alunos ao exterior. Aposta-se na prestação de serviços da escola à comunidade, através da difusão utilização de latrinas, apoio no combate à cólera, colecta e identificação de plantas medicinais, acesso ao visionamento público dos programas de televisão, funcionamento de biblio-videotecas e colecta de dados meteorológicos.
No âmbito da valorização cultural, algumas EVAs editam jornais da escola, como o “Pó di Carbon” colaborando na criação e construção de Casas do Ambiente e Cultura. Para a actualização de conhecimentos dos professores, têm sido organizados cursos de formação ambiental e de ecopedagogia de ensino.

Em 2004, existem as seguintes EVAs:

  • No Norte (Região de Cacheu):
    • EVA de Suzana
    • EVA de Iale
    • EVA de Elia
    • EVA de Tenhate
  • No Sul (Região de Tombali):
    • EVA de Iemberém
    • EVA de Cadique

Associadas a estas EVAs, estão várias escolas espalhadas pela zona litoral do país, em particular as de Orango, Bolama, Bubaque e Buba.

A EVA de Suzana criou a primeira rádio escolar em 2002, a qual funciona integralmente pela acção dos alunos, o que permite reforçar o seu espírito de iniciativa, as formas de comunicação com os outros, aprender a redigir textos, a sintetizar ideias e informações e a escrever correctamente o português.

2. Do conceito de educação ambiental escolar

A Educação Ambiental em meio escolar, constitui uma abordagem às questões ambientais, através da qual, a escola e a comunidade se associam com vista à resolução dos problemas que afectam a vida dessa comunidade. Através dela aprende-se a conhecer o meio ambiente, a prevenir e a resolver os seus problemas, numa perspectiva global.

Esta perspectiva assenta principalmente em duas grandes linhas de pensamento:

  • Que a educação é um dos meios mais seguros para se alcançar uma verdadeira tomada de consciência dos problemas ambientais, desde o conhecimento do meio à mudança positiva e durável dos comportamentos, assim como à aquisição de técnicas conducentes a uma melhor gestão dos espaços.
  • Que Desenvolvimento e Ambiente são inseparáveis, uma vez que o empobrecimento engendra pressões sobre os recursos naturais (terra, água, floresta, fauna, flora, solo e subsolo), agravando a degradação do meio ambiente.

Para que a educação ambiental possa vir a dar resultados torna-se necessário reunir as condições indispensáveis a um desenvolvimento durável, passando a luta contra a pobreza a ser um imperativo.
No entanto, uma orientação deste tipo não é tão simples e evidente de aplicar no quadro do actual sistema escolar e metodologias tradicionais ainda utilizadas, centradas no professor como única fonte do saber.
Pelo contrário, é necessário uma nova pedagogia que apele a uma teoria e práticas que favoreçam:

  • uma organização das aprendizagens em torno de temas
  • uma renovação na organização do quadro escolar, e
  • uma evolução positiva das relações entre a escola, a comunidade e o seu meio.

Este é o grande desafio da Escola de Verificação Ambiental (EVA), baseado na pedagogia pela acção enquanto meio de educar para a prevenção e resolução de problemas ambientais e para melhorar as condições de vida das populações envolvidas.
O projecto das escolas EVA surge assim como uma tarefa comum, intuída, desejada e decidida pela escola e pela comunidade, alicerçada numa leitura do ambiente, tendo a sua origem e justificação na identificação dos problemas e dificuldades que perturbam o seu desenvolvimento.

A EVA assume então uma nova missão, estendendo-se a toda a comunidade, onde o alargamento do campo educativo se realiza através de uma intercolaboração entre todos os actores e componentes sociais. Até agora ignorados e mantidos à margem da escola, os portadores do saber envolvem-se nos assuntos de aprendizagem e na formação dos “aprendentes”.

As actividades executadas não partem apenas dos programas oficiais pré-estabelecidos. A observação e análise do meio, a leitura e interpretação do ambiente, permitem identificar os problemas inerentes à própria localidade.

Os problemas assim identificados são então traduzidos em assunto de aprendizagem, implicando a sua resolução e prevenção, a participação de toda a comunidade.

Nas EVA as relações pedagógicas transformam-se.

Dá-se a emergência de um novo perfil de professor, que deixa de se limitar apenas à transmissão de saberes, para se tornar igualmente num animador e facilitador de aprendizagens.

Também o aluno deixa de ser o elemento passivo, tornando-se um construtor do seu próprio saber e da sua educação, transformando-se num vector de um saber-fazer prático e útil.

As EVAs pretendem ser uma nova maneira de ensinar e de aprender, é o surgimento de um novo estado de espírito.

3. Sobre a Educação pela acção

A Pedagogia pela Acção, alternando as actividades em sala de aula e terreno, centra-se nas necessidades reais dos alunos o que permite um maior interesse e apoio das comunidades rurais que passam a aceitar a escola sem grandes reservas.

A educação ambiental tem por objectivo a formação de um tipo de cidadão cujos valores e comportamentos sejam favoráveis à protecção, restauração do ambiente e à gestão útil de recursos. As actividades práticas constituem um laboratório cujos resultados positivos serão transferíveis à comunidade local, embora se deva precisar que elas não “transportam” consigo o desenvolvimento, mas identificam as condições em que ele se pode verificar.

A aprendizagem faz-se a partir das vivências de que a criança é portadora, uma vez que ela, quando chega à escola, possui um capital de conhecimentos e de competências que o professor deverá conhecer, explorando-as como ponto de partida, sem considerar a criança como uma página em branco ou barro para modelar.

O Projecto Pedagógico das EVAs vai sendo elaborado à medida que se vão identificando os problemas ambientais (sobrexploração dos recursos do mangal, ostra, palmar, qualidade da água, contaminações, cólera, grandes distâncias percorridas por alunos de outras tabancas para poderem frequentar a escola), ou ainda problemas ainda latentes ou potenciais (falta de saídas profissionais para os alunos que acabam o ensino básico, etc.).

4. Metodologia

A Pedagogia pela Acção utiliza o projecto como situação de aprendizagem, constituindo as suas componentes, suportes para múltiplas e variadas aprendizagens. Por seu lado são privilegiadas, as aprendizagens relacionadas com a produtividade económica. Estas centram-se em necessidades reais dos alunos, sendo assim aceites e apoiadas pela comunidade.

A situação de projecto permite a alternância de actividades em sala de aula e de terreno. A alternância entre os diferentes campos educativos permite ainda a realização de objectivos que abarcam três domínios da aprendizagem: o cognitivo, o psicomotor e o afectivo.

A Pedagogia pela Acção permite:

  • um enriquecimento do quadro escolar através da implantação de um projecto educativo,
  • uma diversificação do campo educativo pela variedade dos locais de aprendizagem,
  • uma organização das aprendizagens baseadas no sistema de produção e de consumo dos alunos, e
  • uma organização das aprendizagens à volta de temas centrais, em vez dos saberes abstractos e pré-estabelecidos pelos programas escolares.

5. Educar pela acção

A educação ambiental tem por objectivo a formação de um tipo de cidadão cujos valores e comportamentos sejam favoráveis à protecção, restauração do ambiente e à gestão de recursos. Este cidadão deverá possuir as competências técnicas que facilitem estes comportamentos, servindo as actividades práticas de suporte a esta formação.

Estas actividades desempenham essencialmente, duas funções: funções de suporte das aprendizagens e de suporte ao desenvolvimento durável.

Funções de suporte das aprendizagens: O projecto pedagógico compreende um ou vários ramos de actividade, constituindo cada um deles, oportunidades de aprendizagem.

Para o efeito, o professor:

  1. identifica o conjunto das aprendizagens que o projecto autoriza
  2. selecciona as disciplinas susceptíveis de acolherem essas aprendizagens
  3. planifica as actividades sob a forma de um programa indicativo
  4. define as modalidades de trabalho identificando os utensílios e procedimentos apropriados
  5. faz executar as aprendizagens
  6. avalia as aprendizagens ao nível dos saberes, dos valores, comportamentos e atitudes, bem como as consequências ou resultados obtidos sobre os beneficiários e o meio.
  7. autoavalia-se

Funções de suporte do desenvolvimento durável: as actividades práticas constituem um laboratório cujos resultados positivos são transferíveis ao conjunto da comunidade. Convém sublinhar que elas não “transportam” consigo o desenvolvimento, mas identificam as condições em que este desenvolvimento se pode verificar, tanto ao nível de organização que o acompanha, como ao nível da perenização das aquisições metodológicas.

6. Abertura às realidades do meio

A realidade, a vivência da criança, o seu universo imediato, são interrogações permanentes que se lhe colocam e constituem fonte de soluções e respostas que ela utiliza sempre que necessário.

As aprendizagens fazem-se a partir das vivências de que a criança é portadora. A criança quando chega à escola possui um capital de conhecimentos e de competências que o professor deverá conhecer, explorando-as como ponto de partida. A criança não pode ser considerada como uma página em branco ou barro a modelar.

Este reconhecimento das representações que a criança possui, são recolhidas a partir da colocação de perguntas exploratórias ou de situações ou imagens a comentar, um objecto a utilizar ou a construir.

As representações da criança têm origem local, muitas vezes ligadas a práticas sociais de referência. Também é útil ao professor colocar questões sobre estas práticas tradicionais ou modernas, as culturas, a organização social, a gestão do poder tradicional ou moderna.

Esta abordagem está aberta também a meios não imediatos, com o objectivo de:

  • mostrar as ligações aparentes ou não, directas ou indirectas, que possam existir entre diversos meios,
  • aplicar soluções “de fora” a problemas similares, locais

7. Participação e parceria

O procedimento para a execução do projecto exige que se tenha uma boa organização, funcionando correctamente com a participação efectiva das populações (homens, mulheres, jovens, associações, agrupamentos,…).

A fim de impulsionar esta participação, o professor sugere a criação:

  • ou de uma célula pedagógica, no seio da qual se efectuem concertações regulares entre colegas, podendo convidar parceiros pontuais (agricultores, pescadores, poceiros…) a participarem em actividades educativas com o estatuto de recursos humanos, contribuindo com o seu saber ao mesmo nível que o professor,
  • ou de um comité de gestão do projecto educativo reagrupando professores, representantes dos alunos e dos pais dos alunos. Este comité com funções bem identificadas constitui um instrumento salutar na abertura da escola ao meio, favorecendo a participação das populações nas actividades da escola e vice-versa.

A participação das populações no projecto faz-se a diferentes níveis, desde a concepção à avaliação. Cada um é detentor do seu saber e saber-fazer, isolados ou organizados em sistema, e a luta contra a pobreza implica uma maior partilha destes saberes e saber-fazer.

8. Prevenção e resolução de problemas

O Projecto Pedagógico só é elaborado após a identificação dos problemas ambientais (sobrexploração de recursos do mangal, palmar, qualidade da água, contaminações, cólera, grandes distâncias percorridas por alunos de outras tabancas para poderem frequentar a escola), ou ainda de problemas ainda latentes ou potenciais (formação profissional para as crianças que acabam o ensino básico,…).

Trata-se de uma abordagem que requer o envolvimento de todos os actores do meio de acordo com modalidades e processos particulares.

O professor, iniciador da acção, desempenha o papel de chefe de uma orquestra. Tem como responsabilidade desenvolver o espírito crítico e atrair a atenção dos alunos para o facto de que toda a acção, situação, fenómeno, é sempre portador de vantagens e inconvenientes. É no equilíbrio entre estes dois pólos que se deve operar a escolha do indivíduo.

No quadro da educação ambiental, o ideal é o aproveitamento de todas as vantagens no quadro de uma dada situação, reduzindo os seus aspectos negativos.

9. A abordagem sistémica

A abordagem sistémica é uma técnica que permite a análise das situações concretas da prática educacional para efeitos de melhoramento da eficácia dos processos de ensino e aprendizagem. É seu objectivo permitir aos agentes educativos, a identificação dos pontos fortes e fracos das situações pedagógicas com que se defrontam na prática, permitindo-lhes modificá-las mais ou menos profundamente de acordo com o nível de decisão em que operam.

Melhora a eficácia interna do estudo dos processos de transformação que decorrem no interior dos sistemas pedagógicos, diferenciando-se da planificação cujo objectivo consiste em estabelecer coordenação entre o sector da educação e todos os outros sectores da vida económica e social, e que privilegia os aspectos da eficácia externa.

Torna-se possível decompor uma situação educacional nos seus diversos elementos, distinguindo aqueles sobre os quais se torna possível actuar.

Procede-se a uma listagem das limitações inerentes a cada situação, congeminando novas combinações que permitam eliminar, pelo menos uma parte dessas limitações.

Confere ao agente educativo, habilitação no sentido de melhor utilizar os recursos disponíveis, suprimindo actividades inúteis ou demasiado absorventes, descobrindo novos recursos – acessíveis e adequados à consecução dos objectivos.

Permite-lhe ainda ficar em condições de definir as relações existentes com sistemas vizinhos ou de nível mais elevado, podendo utilizar e mesmo construir esquemas de actividades, de objectivos de conduta, de limitações e de recursos. Ainda poderá ser capaz de conceber e aplicar mecanismos de avaliação que se adaptem às suas necessidades imediatas, em suma, ser capaz de imaginar e conceber e pôr em prática modificações e inovações que contribuam para modernizar o sistema educacional considerado.

10. Criação de uma reserva educativa

a) O que é uma reserva educativa?

É um terreno que serve para ajudar a descobrir e compreender o meio ambiente e as ameaças que pesam sobre ele.

Os alunos e professores são os actores do seu projecto e estão implicados directa e activamente na criação e gestão do meio.

As observações e estudos permitem ver e compreender a complexidade das relações que ligam os seres vivos ao seu quadro de vida.

Estes deverão conduzir a uma reflexão global a propósito da incidência das actividades humanas sobre a natureza e o meio, bem como sobre a necessidade de gerir os recursos naturais de maneira durável e responsável.

A reserva educativa deve ser realizada baseando-se em três princípios:

  • tornar-se uma demonstração viva da ecologia. A reserva tem de oferecer um leque de meios representativos das riquezas naturais locais
  • ser um laboratório no meio da natureza. A condução destas reservas deve oferecer possibilidades múltiplas de observação e de experimentação.
  • apresentar um modelo concreto e activo de conservação da natureza. Os trabalhos de gestão, de condução e de restauração devem ter em mira a protecção da flora e fauna, com particular destaque daquela que se encontra ameaçada.

b) Os objectivos educativos

Os objectivos podem-se dividir em três categorias:

  • o saber: conhecer melhor a natureza e as seus leis.
  • o saber-fazer: os inquéritos, as experimentações e as investigações efectuadas que permitam aos alunos uma melhor compreensão dos processos ecológicos assim como dos factores de degradação do seu meio.
  • o saber-ser: a criação e a gestão do meio. No conjunto, os trabalhos de gestão são bastante semelhantes a estes efectuados nas reservas naturais. A importância é colocada sobre as consequências e o proveito que o homem pode tirar de uma boa gestão do seu meio.

O objectivo final é tomar consciência de que o homem não é só beneficiário mas sobretudo gestor dos recursos naturais.

c) As metodologias pedagógicas

A realização concerne toda a escola e todas as disciplinas ensinadas. É uma abordagem multidisciplinar.

c.1 Etapa teórica

Os alunos reúnem os dados necessários à realização da reserva educativa. Todas as disciplinas podem ser facilmente utilizadas:

  • geografia: leitura de mapas, orientação, realização de um plano de ordenamento…
  • historia: a origem do meio, da paisagem…
  • matemática: cálculo de áreas e volumes, escalas de grandeza, dimensão das árvores …
  • ciências: inventário das riquezas faunísticas e florísticas, elementos de ecologia…
  • português: expressão oral e expressão escrita.

c.2 Realização da Reserva Educativa

Criação dos meios por alunos e professores com base em estudos teóricos.

c.3 Utilização da pedagogia do real e do seu empenho

Os alunos e professores estão constantemente em contacto com o mundo vivo e activamente implicados no futuro da reserva educativa.

d) As etapas da criação de uma reserva educativa

d.1 A escolha do terreno

São de ter em conta alguns critérios: a área, as riquezas biológicas, a situação, a avaliação da possibilidade de seguimento e de uma exploração pedagógica…

  • a proximidade da escola: para fazer observações e experimentações regulares;
  • grande ou pequeno? rico ou pobre do ponto de vista biológico?: para começar é melhor um terreno de mais ou menos 20 ares e não demasiado rico do ponto de vista biológico, para que os resultados sejam mais rapidamente visíveis para os alunos.
  • a garantia de utilização: o terreno é para fazer um pomar ou tem outra utilização? Quem é o proprietário?

d.2 A realização

d.2.1 – O estado actual

Antes de iniciar os trabalhos, é necessário realizar com os alunos um estudo sobre o estado actual do local:

  • um plano com a estrutura : caminhos, árvores, casas, rios…
  • um inventário o mais completo das riquezas biológicas do local:
  • uma lista da vegetação existente; as plantas raras e talvez protegidas serão anotadas sobre o plano, com indicações quanto ao número, à área do povoamento, à sua situação (em zona húmida, em meio seco, numa depressão,…)
  • um inventário seguido de um estudo sumário da fauna para conhecer os lugares onde se alimentam, se reproduzem, … Este estudo é claramente mais difícil que o estudo da vegetação pelos seguintes motivos: a mobilidade da fauna, a pequenez de um grande número de entre eles, a diversidade dos seus hábitos.

O estudo dos animais faz-se:

  • por observação a olho (binóculos, lupas,…)
  • pela investigação sistemática (debaixo das pedras, dentro do sold,…)
  • segundo indícios: cadáveres, plumas, pêlos, lamas, pegadas, abrigos, covas, ninhos, plantas danificadas, …

Esta fase conduz à realização de um plano de ordenamento da reserva educativa e de planos mais detalhados para cada tipo de meio específico.

d.2.2 – O ordenamento e os trabalhos

Devem figurar no plano:

  • caminhos educativos
  • cercas
  • miradouros
  • outros

d.2.3 – As indicações sobre a gestão das diferentes partes da reserva

  • corte de árvores, …
  • recolha de ostras
  • exploração de lenha
  • utilização de plantas medicinais
  • zonas sagradas

e) Os micro-meios

É possível completar a reserva educativa com uma série de micro-meios, com o objectivo de diversificar as possibilidades de observação e de oferecer condições de abrigo e de alimentação à fauna.

O micro-meio tem a particulidade de apresentar sobre uma superfície reduzida
uma fauna e uma flora específicas. Alguns são o resultado entre dois meios.

Por exemplo:

  • Um tronco de árvore morta
  • Um morro de baga-baga
  • O contacto com o mato e o campo

f) Abrigos artificiais

Podem-se criar abrigos para:

  • Favorecer o estabelecimento durável da fauna
  • Facilitar a observação da fauna

Um abrigo ou um comedouro de cada tipo é suficiente:

  • Colmeias para abelhas e vespas solitárias: as abelhas prestam serviços à polinização. As vespas consomem larvas e insectos para alimentar a sua progenitura
  • Abrigos para pequenos carnívoros

g) O livro de apontamentos

g.1 O que é um livro de apontamentos?

Permite fazer o histórico do projecto e constituir a sua memória. É útil para os alunos que o iniciaram, bem como para os de cursos posteriores. E sobretudo é um instrumento de trabalho, de referência para considerar acções de melhoramento da reserva.

g.2 Porque fazer um livro de apontamentos?

  • Para situar o projecto no tempo: os alunos sentem que investem numa acção a longo prazo. É para eles e também para as gerações futuras, um caminho para perceber a noção de desenvolvimento durável
  • Para informar alunos, professores e outras pessoas, sobre o projecto
  • Para despertar o sentido de responsabilidade: tomar anotações correctamente sem cometer erros

g.3 Como constituir um livro de apontamentos?

  • Começar no início do projecto
  • Os alunos e professores devem-no manter em dia
  • É um trabalho pluridisciplinar através de várias disciplinas (história, geografia, ciências, português, matemática, …)
  • Executam desenhos durante as diferentes etapas do projecto (e fotografia se esta for possível)
  • Cada aluno poderá ter responsabilidades
  • É importante consultá-lo frequentemente quando exista um problema ou uma dúvida.

 

13. Pessoas-contacto na AD para este programa

 

Isabel Levy Ribeiro

isabel.levy@gmail.com
Domingos Fonseca

Caixa Postal 606, Bissau, Guiné-Bissau
Maurício Fernandes

Caixa Postal 606, Bissau, Guiné-Bissau

 

Para mais informações

Manual da EVA:“Descoberta da Natureza”, LELOTTE Hubert, AD, Março 1998
Manual da EVA:“Água, Insectos e Doenças nas regiões tropicais”, LELOTTE Hubert, AD, Abril 2001
Manual da EVA:“O Olho, a Lupa e o Microscópio”, LELOTTE Hubert, AD, Abril 2004
Colecção “Caderno de Campo”: nº1 – Sumos e Xaropes, Tambacimba, Ondjo e Fole, RIBEIRO Isabel, AD, Novembro 2003
Jornal “Pó di Carbon” da EVA de Suzana: 6 números
Jornal das EVA: nº1, AD, Julho 2004
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