Zona de S.Domingos-Bigene

 

O modelo de organização do PAN (Programa de Apoio aos Agrupamentos do Norte) é descentralizado, dispondo de uma sede central em São Domingos e presenças permanentes em Ingoré e Varela-Iale. Para isso muito contribui o facto desta zona ser servida diariamente por transportes colectivos e ser de mais fácil acesso que a do PIC no sul. A vantagem deste modelo reside numa muito maior proximidade da AD com os agrupamentos e comunidades locais, cobrindo em sentido longitudinal toda a área de intervenção. Para as mulheres e jovens é mais fácil encontrar os quadros da AD, discutir iniciativas e solicitar apoio técnico. Igualmente, em vez de se trabalhar segundo uma lógica de um polo de desenvolvimento único, existem vários que se estimulam e intercambiam experiências. O inconveniente maior é que a concertação e coordenação dos programas se torna mais difícil, exigindo meios de deslocação que a AD não tem. Desta forma os Comités de Programa, constituídos por todos os técnicos e pessoas recurso da comunidade, onde se analisam os temas de intervenção, definem prioridades e se atribuem responsabilidades, reunem-se com maior dificuldade e são mais espaçados no tempo. Desde 2002 que existe a nova sede do PAN em S.Domingos dotada de uma casa de passagem, o que possibilita melhores condições de estadia a técnicos que se desloquem ao PAN para missões de estudo, de formação ou de avaliação. Também em Ingoré a AD dispõe já de uma infraestrutura de trabalho e de alojamento para os seus quadros o que facilita o incremento de acções neste sector e a sua futura extensão até Barro e Bigene. A AD tem apostado fortemente na capacitação das ainda poucas estruturas associativas que existem mas que estão já a assumir um maior protagonismo em termos de promoção do desenvolvimento local, como é o caso da União dos Pequenos Agricultores de Ingoré (UPAI) e da Associação de Mulheres “No Djunta Cabeça”.

Principais Actividades deste Programa:

  • Soberania Alimentar:
    • Diversificação de culturas alimentares, através da distribuição de sementes de variedades mais adaptadas às condições edafo-climáticas locais: arroz, batata-doce, mandioca, feijão congo, feijão mancanha e mancarra bijagó
    • Incremento da horti-fruticultura com vista à melhoria da dieta alimentar e geração de receitas através da venda de excedentes: cebola, tomate, pimento, mangueiros, citrinos e outras espécies
    • Apoio à pesca artesanal através de fornecimento de material de pesca e introdução de nova tecnologia de fumagem de peixe, menos penalizadoras do ambiente
    • Introdução de descascadoras mecanizadas de arroz e de prensas manuais de óleo de palma
    • Formação de mulheres na transformação e conservação de frutas e legumes.
  • Reforço das Organizações Locais:
    • Promoção de 3 fileiras: óleo de palma e palmista, fruta e pesca
    • Apoio aos circuitos de comercialização (lumus e mercados)
    • Formação de lideres associativos e comunitários das associações de base, em especial da UPAI e “No Djunta Cabeça”
    • Organização de visitas de intercâmbio ao Senegal e a outras regiões do país de membros activos e dinâmicos das comunidades locais
    • Incentivo à criação de sistemas mutualistas de micro-crédito
    • Envolvimento das autoridades locais e poderes tradicionais nos processos de concepção e programação do desenvolvimento local
  • Implementação de Processos inovadores
    • Apoio a 3 rádios comunitárias: Rádio Kasumai de São Domingos, Rádio EVA de Suzana e Rádio Balafon de Ingoré
    • Apoio à Televisão Comunitária Bagunda de São Domingos
    • Criação da Mutualidade de Saúde de Varela-Iale
    • Reforço das dinâmicas culturais, através da construção e funcionamento do Centro Cultural Juvenil de São Domingos e promoção de grupos de teatro e música juvenil
    • Apoio à criação de uma Rede de Escolas de Verificação Ambiental (EVA) englobando as de Suzana, Iale, Elia, Edjim, Tenhate e Cubampor, bem como a sua construção comunitária e formação dos professores em ecopedagogia
    • Incentivo à formação profissional de jovens e mulheres, através do Centro de Formação Rural de São Domingos (CENFOR), onde são realizados cursos de carpintaria, serralharia, informática, transformação de fruta, descascadoras de arroz, prensas de óleo de palma e tinturaria de panos
    • Introdução futura de tecnologias solares para o fabrico de sal que não penalizem o consumo de lenha, assim como a criação e formação de uma rede de jovens “veterinários de tabanca” para darem assistência ao efectivo animal da zona.